Forte

Forte de Copacabana

 Integração
 do Espaço Cultural do
 Museu Histórico do Exército. 
Desde 4 de Março de 1996.
Atualizada em 18 de dezembro de 1997.
Em breve teremos fotos à noite e mais histórias do Forte.

Igrejinha

FORTE DA IGREJINHA

Plano de defesa da Baía da Guanabara (1763 - 1908)

A tranferência da capital do Brasil para a Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, em 1763, provocou a necessidade de serem reforçadas as defesas da Baía da Guanabara, através das Fortificações de Artilharia.

Seis anos depois, foi inciciada a instalaçao de um Forte na "Ponta da Igrejinha", em Copacabana, nome pelo qual era conhecido o promontório (Geog. - Cabo formado de rochas elevadas) onde hoje se situa o Forte de Copacabana.

Depois de várias tentativas não concluídas o projeto só foi retomado em 1908, durante o governo de Afonso Pena, com o lançamento da pedra fundamental, enterrada junto a uma caixa lacrada contendo coleções de selos nacionais, moedas de ouro, de prata, de níquel, de cobre e jornais do dia. Construído no promontório da Igrejinha de Nossa Senhora de Copacabana, quer dizer que, para erguer a fortaleza, foi necessária a demolição da antiga Igrejinha, que deu origem ao nome do bairro, e sempre viveu ligado à santa, cujas origens remontam ao antigo Império Inca e ao Santuário da Virgem do Lago Titicaca, na Bolívia.



A FORTIFICAÇÃO

Construção (1908 - 1914)

A execução da obra prolongou-se por 6 anos e 9 meses e utilizou mais de 2 mil operários civis. O armamento fabricado pela Krupp e trazido da Alemanha pela marinha Brasileira, foi tranportado em 6.414 volumes, guindastes elétricos de 80 toneladas desembarcaram os canhões, que foram instalados em quatro cúpulas:

  • Uma, com dois canhões de 305 mm, com alcance máximo de 23 Km;
  • Outra , com dois canhões de 190 mm, com máximo de 18 Km;
  • E mais duas, com um canhão de 75 mm cada, com alcance máximo de 7 Km.

A energia elétrica necessária à iluminação, aos movimentos das armas e ao sistema de ventilação era fornecida por uma usina composta de dois grupos eletrogêneos contruídos pela AEG, alemã.

Protegidos por uma casamata (subterrâneo) abobadada, de 40 mil metros cúbicos, com muralhas externas voltadas para o mar de 12 metros de largura, os militares podiam enfrentar o inimigo durante semanas, isolados do exterior. Essa construçào, dificultada pelas condições do terreno e do mar, e agravada pelo tamanho e peso do armamento, representou um desafio para as engenharias militares brasileira e alemã.


FORTE DE COPACABANA (1914 - 1987)

O Forte de Copacabana caracterizou-se por possuir traços peculiares que marcaram a sua história. A Fortificação foi ocupada, sucessivamente por seis Baterias de Artilharia, até a instalação, em 23 de outubro de 1934, do 3º Grupo de Artilharia da Costa (3º GACos). Seus modernos canhões, dotados de grande potência de fogo e avançada tecnologia fizeram-no, por muito tempo, baluarte de defesa da entrada da Baía. Suas atividades, voltadas para a procura de novas técnicas e para o aprimoramento da instrução militar viabilizaram a execução das primeiras Escolas de Fogo, que foram realizadas a partir de 1935, além de ser o pioneiro, no Brasil, em exercícios noturnos de levantamento de rota com apoio de holofotes, em 1937.

A intensa ligação com a comunidade e o brilho alcançado nas competições desportivas tornaram o Forte de Copacabana uma amizade de escola e orgulho dos militares que por ele passaram.


HISTÓRIA, PATRIMÔNIO E MEMÓRIA

"Os 18 do Forte"

Os 18 do Forte no calçadão de Copacabana

Não há dúvida que, dos diversos acontecimentos que marcaram a vida da fortaleza, o mais famoso foi o Movimento Tenentista, ocorrido em 1922, tem como origem a crise política dos pleitos eleitorais, estando o Governo Federal atuando ostensivamente na política partidária dos Estados. O Corpo Militar era usado como instrumento de ordens ou missões incompatíveis com a sua função. A crise econômica assolara o país e o clima era de intranquilidade perante os novos governantes. O Tenentismo surge como movimento de jovens oficiais, que inspirados ainda na filosofia positivista decidem romper com as bases governamentais reivindicando reformas mas bases militares e na política atuante. Assim, novos focos do movimento foram articulados.
O dia 5 de julho de 1922 foi o ápice do movimento conhecido como "Os 18 do Forte".

É preso o Marechal Hermes da Fonseca, então Presidente do Clube Militar. O jovem Tenente Eduardo Gomes (que mais tarde chegou a Brigadeiro) o procura. O Marechal fica sabendo da rebelião que se formara. O Forte de Copacabana se revolta no dia 2 de julho. Era comandante do Forte o Capitão Euclides Hermes da Fonseca, filho do Marechal. Uma ordem do Ministério da Guerra precipita a rebelião. É feito fogo sobre outras fortalezas. O 3º Regimento de Infantaria toma posição perto do forte. Os portões são abertos aos que não queriam lutar. O Capitão Euclides Hermes da Fonseca vai ao Palácio do Governo negociar e é preso. Fala ao telefone com o Tenente Siqueira Campos e informa que o Governo exigia a sua rendição, incontinenti. Siqueira Campos tomara a decisão de resistir até o fim. A Bandeira do Forte é arriada e rasgada em 28 pedaços. Saem do Quartel: Tenentes Siqueira Campos, Eduardo Gomes, Newton Prado, Mario Carpenter, Cabo Reis e soldados (Hildebrando Nunes, José Pinto de Oliveira, Manoel Antonio dos Reis e outros desconhecidos da Primeira Bateria Isolada da Artilharia de Costa). Octávio Correia, civil, uniu-se ao grupo à saída do Forte.


Como de 301 revolucionários, ficaram apenas 18.

Em outras palavras, liderado pelos tenentes Antonio de Siqueira Campos e Eduardo Gomes, um grupo de de jovens militares rebelou-se contra os arranjos políticos da República Velha. O episódio deu início à revolução dos Tenentes - ou Tenentista - que estendeu-se até 1929 em várias partes do Brasil.

O estopim da revolta foi aceso quando o jornal Correio da Manhã publicou, em outubro de 1921, uma série de cartas ofensivas ao Exército. Elas foram atribuídas ao candidato da "política do café com leite" à Presidência da República, Artur Bernardes. Indicado pelas oligarquias de São Paulo e Minas Gerais para sucessão de Epitácio Pessoa, ele venceu as eleições. Foi justamente com o objetivo de impedir a posse de Artur Bernardes, que os jovens oficiais rebelaram-se. Foram apoiados pelo comandante do Forte de Copacabana, Capitão Euclides Hermes da Fonseca, e ainda por outras guarnições do Distrito Federal
(antigo Estado da Guanabara), do Estado do Rio de Janeiro e de Mato Grosso.

Durante toda manhã do dia 5 o Forte de Copacabana sustentou fogo cerrado. Diversas casas foram atingidas na trajetória dos tiros até os alvos distantes, matando dezenas de pessoas. Eram 301 revolucionários - oficiais e civis voluntários - enfrentando as forças legalistas, representadas pelos batalhões do I Exército. A certa altura dos acontecimentos, Euclides Hermes e Siqueira Campos sugeriram que os que quisessem abandonassem o forte: restaram 29 combatentes. Por estarem acuados, o Capitão Euclides Hermes saiu da fortaleza para negociar. Os 28 que permaneceram, decidiram então "resistir até a morte", partindo em marcha pela Avenida Atlântica rumo ao Leme. Durante os tiroteios, dez deles dispersaram pelo meio do caminho e os tais 18 passaram a integrar o pelotão suicida. Após a morte de um cabo, ainda no asfalto com uma bala nas costas, os demais saltaram para a praia, onde aconteceram os últimos choques. A despeito dos que tombaram mortos na areia, os remanescentes continuaram seguindo em frente. Os únicos sobreviventes foram Siqueira Campos e Eduardo Gomes, embora tivessem ficado bastante feridos.


BooKNet Leia o livro "1922 - Sangue na areia de Copacabana".
Para saber mais sobre os acontecimentos da época.

Para você ter uma visão abrangente, onde mostra a entrada da Baía de Guanabara, que era defendida pelo Forte:

Visão completa (uma panorâmica!) CLIQUE AQUI!

Existe um monumento aos "18 do Forte" de Copacabana, na Av. Atlântica, no calçadão central, quase esquina com a Rua Siqueira Campos, inaugurado em 5 de julho de 1974.

" À PÁTRIA TUDO SE DEVE DAR, NADA PEDIR, NEM MESMO COMPREENSÃO " - Siqueira Campos.

Conheça o Museu Histórico do Exército e visite também o Projeto Fortalezas

e a página do livro Fortes e Faróis.


ATIVIDADES

Desde 1986, o Forte passou a ser sede do Museu Histórico do Exército, em suas atividades educacionais e culturais atende ao público de terça à domingo das 10:00h às 16:00h. Estão preservadas as primitivas instalações, com as galerias, os refeitórios, os lavatórios em estilo art-nouveau, paiol das munições, a câmara de tiro e as quatro cúpulas dos canhões de trajetória retilínea. Suas instalações compreendem, salões de exposições temporárias e outros para eventos socias e educacionais. Estudantes de 1º e 2º graus das escolas da comunidade usufruem de uma área de lazer com quadra de esportes. Aos domingos e feriados o museu abre seus portões para passeio ciclístico. Em sua ação social atende a menores carentes do projeto Rio Criança Cidadã e oferece uma sala para o atendimento de Centro de Valorização da Vida.

Integrando a tradição à vida civil e um pouco de história ao nosso cotidiano, brevemente serão inaugurados salões de exposições permanentes sobre o Exército Brasileiro na Colônia e no Império. Como projeção da Biblioteca do Exército, será inaugurado um amplo salão de leitura.

O museu em suas atividades atende à estudantes, pesquisadores e estágiarios, nas áreas de museologia, história e restauração.


    Forte de Copacabana                                  Eu não sou militar e nem "servi" no Forte.
    Pça Coronel Eugênio Franco nº 01              NÃO tenho qualquer tipo de vínculo com o Exército,
    Posto 6 - Copacabana - CEP 22.070-020       ou o Museu, apenas AMO o bairro de Copacabana!
    

Mande uma mensagem para mim! Sergio Valle, valleser@amcham.com.br


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